Personalidade e os Quatro Elementos

Quatro Elementos

 

Da união do princípio espiritual com o princípio natural surge a energia etérica (akasha) de onde saem os quatro elementos: terra, água, fogo e ar. Tudo aquilo que existe no reino da manifestação é composto por esses quatro elementos e está sujeito aos ciclos e ritmos a eles relacionados. Os processos de nascimento, vida e morte são decorrentes dos movimentos de agregação e desagregação produzidos pelas forças eólicas, ígneas, hídricas e telúricas. Como o espírito é anterior e superior aos quatro elementos, ele pode interferir sobre os ciclos dos elementos por meio da ação da consciência sobre a matéria. A isso denominamos magia.

Enquanto a maioria das pessoas está completamente submetida aos ciclos da vida descritos, aqueles que se aventuram em levantar o véu da matrix podem aprender a utilizar esses mesmos ciclos em seu benefício. Quando a finalidade da ação é a evolução espiritual, chamamos o processo de magia branca. Por outro lado, quando alguém movimenta os quatro elementos com o intuito de usufruir egoísticamente do poder temporal, dizemos que está realizando magia negra.

No caminho da mediunidade e da iniciação de Umbanda Esotérica, aprendemos a entender os ciclos e ritmos das energias sutis e a interagir com eles, acelerando ou retardando os processos, ou ainda fortalecendo um dos elementos que nos seja mais favorável. Há várias formas de fazer isso, então temos especializações como a magia cerimonial, oracular, talismânica e das oferendas.

Uma vez que o médium-magista tenha o conhecimento e a experiência que lhe permitem agir sobre os elementos e os espíritos elementares a eles associados, poderá atuar não apenas em seu próprio benefício como também na função de ajudar outras pessoas a encontrar um maior equilíbrio na vida, corrigindo caminhos desviados, criando aberturas para a luz e neutralizando as forças das sombras.

Para qualquer pessoa, o auto-conhecimento é o ponto fundamental de onde se inicia qualquer experiência mágica. Mestre Yapacani explica em Umbanda e o Poder da Mediunidade que cada um de nós tem um elemento mais predominantemente impresso no seu corpo astral no momento do nascimento. Esse elemento mais forte será responsável por aspectos da personalidade, bem como por talentos e susceptibilidades individuais. Sabendo seu elemento dominante, o indivíduo poderá atuar de maneira mais assertiva sobre a magia e obter resultados mais pronunciados.

Há várias maneiras de descobrir a influência dos elementos sobre nosso corpo astral. Entre elas temos: análise da personalidade, tipo físico, fisiognomonia, quiromancia, astrologia, magia oracular e mediunidade. Matta e Silva recomenda que verifiquemos qual fase da lua era atuante no dia do nascimento. Cada uma das quatro fases relaciona-se a um elemento.

Na verdade, existem ciclos que se colocam uns dentro dos outros. Senão vejamos:

  • ciclo mensal: os signos astrológicos são do Ar (aquário, gêmeos e libra), Fogo (áries, sagitário e leão), Água (câncer, escorpião e peixes) e Terra (Virgem, Capricórnio e Touro)
  • ciclos semanal: as quatro fases da Lua correspondem aos quatro elementos
  • ciclos diários: na astrologia chinesa de Quatro Pilares o elemento é determinado pelo Dia Mestre
  • ciclos de horas: os tattwas se sucedem em períodos de 120 minutos para cada ciclo completo e o tattwa da concepção é o mesmo do nascimento e da morte

A experiência prática também pode ajudar a entender como nos relacionamos com os elementos. Aquele que nos é mais favorável promove resultados mais rápidos e perceptíveis. Por exemplo: uma pessoa do elemento água terá melhor resposta com banhos de ervas; uma pessoa de ar responderá bem às defumações e incensos; uma pessoa do fogo terá mais alívio em uma descarga de pólvora, uma pessoa da terra se beneficiará mais diretamente por sacudimentos e passes com toque físico. Os pais e mães de santo podem e devem orientar seus filhos em como proceder para que suas energias fluam da maneira mais harmônica possível, observando como reagem às forças elementares.

A mensagem fundamental que queremos deixar nesse artigo é que nada está parado. Tudo está em movimento constante, de modo cíclico e previsível para quem tem a percepção suficientemente aguçada. Ar, fogo, água e terra são complementares entre si e mantém a harmonia da vida em todos os planos.

 

Roger Taussig Soares

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4 respostas para Personalidade e os Quatro Elementos

  1. Matheus A. Bombonato diz:

    Ótimo texto!!!
    Já havia refletido sobre a relação dos banhos, defumadores, sacudimentos e descargas com pólvora com os quatro elementos, porém, sempre tive para mim que o estouro de “tuia” era algo mais denso..relacionado ao deslocamento de cargas/ larvas mais densos…e por pensar assim, em meus “alguns anos” de prática, nunca me arrisquei a estourar…
    Os textos que vocês estão publicando estão ótimos, com um vocabulário de fácil compreensão. Parabéns pelo trabalho, e obrigado por compartilhar!
    Saravá fraterno.

    • rtsoares diz:

      Olá Matheus!
      Obrigado pelo feedback. 🙂
      Nossa intenção é trazer esses assuntos de uma forma acessível para quem está começando, sem deixar de provocar reflexões em quem já tem experiência.
      Além disso, entendemos que se não pudermos escrever algo que remeta diretamente a uma aplicação prática, é melhor não publicar.

      Fique na paz de Zamby!

      Roger Soares

  2. Eliane Oltramari diz:

    Olá mestre. Como é interessante observarmos as correlações entre a Umbanda e outras ciências antigas. Nos Vedas indianos, no Yoga e no Ayurveda (prática médica) se afirma que há um princípio espiritual (Purusha) e uma emanação (Shakti ou Prakriti) que origina os gunas ou quatro elementos (akasha -espaço/éter e os demais àgua, terra, fogo e ar), que por sua vez dará origem a todas as coisas. É motivo de regozijo perceber que os aspectos esotéricos da Umbanda são tão pertinentes quanto qualquer outro saber filosófico e religioso, guardadas as devidas características históricas e culturais. Para acima e além de pequenas diferenças, o que prevalece ao longo da civilização é a essência, também chamada verdade. Sarará fraterno. Namastê

    • rtsoares diz:

      Namastê Eliane!

      É exatamente o mesmo princípio.
      Prakriti significa a Natureza, Shakti significa poder. Purusha é o espírito universal, o Adam-Kadmon. Os pares Shiva-Shakti e Purusha-Prakriti simbolizam o princípio espiritual que se desdobra como princípio natural e de sua interação surge a energia com suas 4 variantes. A idéia é correspondente à de Matta e Silva sobre a interação do par vibratório no reino virginal e no universo astral. Acreditamos, como ele, que a verdade é uma só, sendo adaptada em entendimento às diversas culturas ao longo da história. Apenas em relação aos gunas, ali acho que o conceito é um pouco distinto. Tamas, rajas e sattva representam qualidades ou tendências de desaceleração, aceleração e estabilidade, respectivamente. Mas isso já é um outro bom assunto para horas de conversa. 🙂

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