O que é o karma?

A balança da justiça

Nos círculos espiritualistas a palavra karma é usada com frequência. Quando algo de mal acontece a alguém, dizem que é o karma daquela pessoa. Na Umbanda também ouvimos essa palavra como se indicasse uma possível causa para um determinado sofrimento. Assim, quando existe um problema dizem que pode ser “trabalho feito” ou pode ser de causas kármicas. Se o problema é por uma interferência externa, como um trabalho de bruxaria, é possível desfazer com  magia; já no caso de distúrbios de origem kármica o caminho é tentar compreender as causas e tentar melhorar a própria conduta para amenizar a situação, além de orar pela misericórdia divina.

Apesar de algumas pessoas acreditarem que a noção de karma é típica do kardecismo, a idéia é milenar e tem origem na Índia há mais de 5.000 anos. Esse conceito é tão verdadeiro e universalmente reconhecido que acabou fazendo parte do que chamamos de Tradição Espiritual Planetária.

A palavra karma é originária do Sânscrito, a língua sagrada indiana, e significa simplesmente “ação”. Dentro da filosofia espiritual, uma ação gera uma consequência e essa leva a outras ações e novas consequências formando uma cadeia interminável de originação interdependente. É também o que se conhece por “Lei de Causa e Efeito”, ou seja, você colhe aquilo que planta. Se você planta uma laranjeira, obrigatoriamente vai colher laranjas. É insensato esperar colher maçãs de uma laranjeira. Do mesmo modo, se você planta espinhos, seu caminho será também de espinhos e eventualmente se machucará neles. Isso quer dizer que a responsabilidade do que nos acontece de adverso é nossa por termos gerado no passado as causas que levaram ao estado presente.

A idéia de karma vem sempre atrelada à noção de lei divina e da linha justa por onde o espírito deve caminhar no sentido de evoluir cada vez mais. A lei maior não tem a intenção de ser punitiva, o karma não é um castigo. A lei kármica existe apenas pra trazer as pessoas desviadas de volta para a linha justa. Sua função é educativa. Além disso, os choques de retorno servem também para precipitar as cobranças kármicas e impedir que a pessoa continue errando e prejudicando os demais.

O grande mestre da Umbanda Esotérica W.W. da Matta e Silva explica em Umbanda de Todos Nós que essa lei do karma atua por meio de suas paralelas: de um lado a paralela ativa da Umbanda movimentando a evolução por meio das “causas e efeitos” e, de outro lado, a paralela passiva da Quimbanda precipitando os “choques e retornos”. Enquanto caboclos, pretos-velhos e crianças incitam ativamente o caminho do aprendizado e da luz, os exús guardiões promovem reativamente ou passivamente a aplicação das penas necessárias para devolver cada um ao equilíbrio da Lei Maior.

Podemos todos contar certamente com a lei do karma como nossa aliada no processo evolutivo. Seja nos estimulando ao Bem ou nos corrigindo as falhas, a justiça divina sempre age misericordiosamente para nosso crescimento. A sabedoria ensina que quanto mais caminhamos na linha justa, menos a Lei se fará sentir sobre nós e mais livres nos sentiremos.

Saravá a todos! E salve Mikael-Xangô, senhor da balança da lei e do destino!

Autor: Roger T. Soares

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