O que caracteriza a Umbanda?

Quando alguém nos pergunta qual religião frequentamos e dizemos que somos umbandistas, sempre fica na nossa cabeça aquela dúvida se a pessoa vai entender o que queremos dizer com isso. Será que ela sabe que nossa religião não é demoníaca? Que não faz magia negra? Pensamos nos preconceitos vigentes e como não desejamos ser discriminados, rapidamente completamos dizendo que nossa Umbanda é do bem, é branca, é esotérica, mística, iniciática… (???) Em vez de esclarecer nosso interlocutor, corremos o risco de deixá-lo(a) mais confuso(a). Afinal, o que é Umbanda?

Desde 1908 quando o nome Umbanda foi dado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas ao movimento espiritual nascente no Rio de Janeiro tenta-se definir ou moldar essa nova religião. Há quem diga que ela veio da África, outros afirmam ser genuinamente brasileira constituída a partir de raízes ameríndias, africanas e européias. Para os descendentes do Caboclo das Sete Encruzilhadas, a Umbanda é a “manifestação do espírito para a caridade”. Todavia, o kardecismo também é isso, o que o difere da Umbanda? Pelas narrativas históricas, a separação se deveu ao preconceito existente nas mesas kardecistas contra os espíritos de caboclos, índios e pretos-velhos. Atualmente, essa discriminação não ocorre em centros espíritas mas isso não os faz serem de Umbanda.

Seria a Umbanda uma religião cristã e isso a definiria? Também não podemos confiar nessa particularidade, seja porque outras religiões cristãs como o catolicismo e o protestantismo não admitam a mediunidade nem a reencarnação, ou seja porque muitos terreiros de Umbanda não cultuam Jesus Cristo e preferem usar puramente os orixás africanos.

Tampouco podemos dizer que a Umbanda seja politeísta ou monoteísta como fundamentos distintivos. Sequer podemos nos basear nas formas ritualísticas para separar o que seja ou não da Umbanda. Há terreiros com atabaques ou sem; há casas com muitas imagens de santo e outras que abominam os sincretismos católicos. Resumindo, não há uma característica filosófica ou prática que seja exclusiva da Umbanda, nem existe algo que em sua presença possamos dizer que um lugar não é Umbandista. Ainda assim, quando entramos em um terreiro sabemos que estamos na Umbanda e os praticantes se denominam umbandistas independentemente da linha que sigam.

Umbanda Branca, Umbanda Sagrada, Umbanda Esotérica, Umbanda Iniciática, Umbanda Cristã, Umbandec, Umbandomblé, Umbanda Traçada, Umbanda Omolocô são alguns dos muitos nomes utilizados para definir os segmentos ou apresentações particulares da Umbanda de acordo com suas influências teóricas ou culturais. São várias escolas, cada qual se intitulando como definitiva ou ainda com a pretensão de se universalizar para toda a coletividade, impondo seus dogmas.

De um lado existem aqueles que querem codificar a Umbanda, restringindo sua doutrina e ritualística a um certo conjunto de práticas pré-definidas; de outro lado, existem aqueles que apostam na relativização do “vale-tudo” com a expectativa de ser todo-includente caindo em contradições internas insuportáveis. Não há solução para a celeuma e o que podemos fazer é respeitar a liberdade de auto-denominação que cada grupo tem.

Para compreender o que seja a Umbanda, devemos lançar mão do conceito de “semelhança de família” de Wittgenstein*. Olhando os vários terreiros que se dizem umbandistas, não conseguimos encontrar uma única característica que seja comum a todos e pertencente somente à Umbanda. O que temos é um conjunto de particularidades que se somam em combinações diversas em cada terreiro e que permitem as pessoas se autoidentificarem como umbandistas.

Aqui segue uma lista com algumas dessas características, tais como práticas e crenças que compõem o universo da religião:

  • reencarnação
  • mediunidade, especialmente de incorporação
  • guias espirituais nas formas de caboclos, pretos velhos, crianças, baianos, boiadeiros, marinheiros, ciganos, exús etc
  • orixás africanos
  • monoteísmo ou politeísmo
  • magia cerimonial, elementar, talismânica e cabalística
  • vestimentas adotadas por cada escola umbandista
  • altares com ou sem imagens, otás, simbolos da lei de pemba
  • orquestra com atabaques, adjá, xequerê, agogô
  • pontos cantados sem instrumentos ou palmas de acompanhamento
  • uso de guias e colares, terços ou rosários, ilekes
  • uso de defumações ou fumigações com ervas, resinas ou sementes
  • sacerdote ou sacerdotisa denominados pai ou mãe de santo, babás, yalorixás ou outras designações
  • uso de oferendas e feitura de trabalhos para atrair energias positivas ou afastar energias negativas
  • atendimentos espirituais individuais ou em sessões públicas com vários mediuns
  • ritos de batismo, casamento, intercessórios etc.

Cada grupo traz consigo um conjunto desses elementos identificadores de acordo com a tradição que herdou de seus fundadores, transmitidos nos processos de iniciação e preparação sacerdotal. As variações são imensas porque a Umbanda resiste a qualquer forma de institucionalização, quer no sentido da restrição de dogmas ou no da relativização que tudo quer englobar. Nossa religião é nova, plástica e continua evoluindo de acordo com as necessidades humanas dos tempos atuais e com as influências dos espíritos que governam nossa coletividade por cima.

 

Roger T. Soares
Sacerdote da TUOY

 

* Nota: para saber um pouco mais do conceito de semelhança de família, veja essa página http://aquitemfilosofiasim.blogspot.com.br/2014/04/wittgenstein-sobre-semelhancas-de.html

Personalidade e os Quatro Elementos

Quatro Elementos

 

Da união do princípio espiritual com o princípio natural surge a energia etérica (akasha) de onde saem os quatro elementos: terra, água, fogo e ar. Tudo aquilo que existe no reino da manifestação é composto por esses quatro elementos e está sujeito aos ciclos e ritmos a eles relacionados. Os processos de nascimento, vida e morte são decorrentes dos movimentos de agregação e desagregação produzidos pelas forças eólicas, ígneas, hídricas e telúricas. Como o espírito é anterior e superior aos quatro elementos, ele pode interferir sobre os ciclos dos elementos por meio da ação da consciência sobre a matéria. A isso denominamos magia.

Enquanto a maioria das pessoas está completamente submetida aos ciclos da vida descritos, aqueles que se aventuram em levantar o véu da matrix podem aprender a utilizar esses mesmos ciclos em seu benefício. Quando a finalidade da ação é a evolução espiritual, chamamos o processo de magia branca. Por outro lado, quando alguém movimenta os quatro elementos com o intuito de usufruir egoísticamente do poder temporal, dizemos que está realizando magia negra.

No caminho da mediunidade e da iniciação de Umbanda Esotérica, aprendemos a entender os ciclos e ritmos das energias sutis e a interagir com eles, acelerando ou retardando os processos, ou ainda fortalecendo um dos elementos que nos seja mais favorável. Há várias formas de fazer isso, então temos especializações como a magia cerimonial, oracular, talismânica e das oferendas.

Uma vez que o médium-magista tenha o conhecimento e a experiência que lhe permitem agir sobre os elementos e os espíritos elementares a eles associados, poderá atuar não apenas em seu próprio benefício como também na função de ajudar outras pessoas a encontrar um maior equilíbrio na vida, corrigindo caminhos desviados, criando aberturas para a luz e neutralizando as forças das sombras.

Para qualquer pessoa, o auto-conhecimento é o ponto fundamental de onde se inicia qualquer experiência mágica. Mestre Yapacani explica em Umbanda e o Poder da Mediunidade que cada um de nós tem um elemento mais predominantemente impresso no seu corpo astral no momento do nascimento. Esse elemento mais forte será responsável por aspectos da personalidade, bem como por talentos e susceptibilidades individuais. Sabendo seu elemento dominante, o indivíduo poderá atuar de maneira mais assertiva sobre a magia e obter resultados mais pronunciados.

Há várias maneiras de descobrir a influência dos elementos sobre nosso corpo astral. Entre elas temos: análise da personalidade, tipo físico, fisiognomonia, quiromancia, astrologia, magia oracular e mediunidade. Matta e Silva recomenda que verifiquemos qual fase da lua era atuante no dia do nascimento. Cada uma das quatro fases relaciona-se a um elemento.

Na verdade, existem ciclos que se colocam uns dentro dos outros. Senão vejamos:

  • ciclo mensal: os signos astrológicos são do Ar (aquário, gêmeos e libra), Fogo (áries, sagitário e leão), Água (câncer, escorpião e peixes) e Terra (Virgem, Capricórnio e Touro)
  • ciclos semanal: as quatro fases da Lua correspondem aos quatro elementos
  • ciclos diários: na astrologia chinesa de Quatro Pilares o elemento é determinado pelo Dia Mestre
  • ciclos de horas: os tattwas se sucedem em períodos de 120 minutos para cada ciclo completo e o tattwa da concepção é o mesmo do nascimento e da morte

A experiência prática também pode ajudar a entender como nos relacionamos com os elementos. Aquele que nos é mais favorável promove resultados mais rápidos e perceptíveis. Por exemplo: uma pessoa do elemento água terá melhor resposta com banhos de ervas; uma pessoa de ar responderá bem às defumações e incensos; uma pessoa do fogo terá mais alívio em uma descarga de pólvora, uma pessoa da terra se beneficiará mais diretamente por sacudimentos e passes com toque físico. Os pais e mães de santo podem e devem orientar seus filhos em como proceder para que suas energias fluam da maneira mais harmônica possível, observando como reagem às forças elementares.

A mensagem fundamental que queremos deixar nesse artigo é que nada está parado. Tudo está em movimento constante, de modo cíclico e previsível para quem tem a percepção suficientemente aguçada. Ar, fogo, água e terra são complementares entre si e mantém a harmonia da vida em todos os planos.

 

Roger Taussig Soares

Médium da coroa grande: será mesmo?

Está na hora de começarmos a questionar certos hábitos comuns a muitos terreiros de Umbanda. Um deles é o de estimular a vaidade dos médiuns novos e inexperientes. Como se faz isso? É simples! Logo ao entrar no terreiro o novo médium, ainda na condição de consulente, passa com um guia incorporado e já ouve frases do tipo: filho, você tem muita luz! tem uma grande cobertura astral! seu caboclo é um cacique do peito de aço! seu preto velho é um sacerdote chefe! seu exú é poderoso e perigoso! A sua coroa mediúnica é grande e você tem entidades das sete linhas! Você, irmão ou irmã de fé, já passou por isso? Então continue lendo as próximas linhas…

É verdade que existem hierarquias espirituais e que há entidades de muita luz trabalhando na Umbanda. Na nossa doutrina acreditamos na existência de 3 níveis de guias espirituais: protetores, guias e orixás intermediários. Os protetores estão mais próximos de nós e trabalham com médiuns de karma probatório. Os guias já se encontram em um plano mais elevado e trabalham com médiuns de karma evolutivo. Os orixás intermediários são espíritos extremamente elevados e preferem outras formas de manifestação além da incorporação, buscando atingir um número maior de pessoas pois são responsáveis por grandes coletividades. Os orixás intermediários atuam em médiuns de karma missionário.

No entanto, esses espíritos quando se manifestam de verdade em bons médiuns nunca vêm dizendo que são os maiorais e que são grandes chefes. Os pretos velhos e pretas velhas são sempre humildes, mansos, serenos. Seria muita contradição pregar a humildade e se vangloriar de seu grau hierárquico. Se quisessem ser orgulhosos, não se chamariam Pai Congo, Vovó Catarina etc. Eles diriam: sou o comandante da sétima esfera estelar, sou o rei do Egito, sou Moisés etc. Portanto, você que tem a tarefa mediúnica, acautele-se para não se deixar levar por estórias de pessoas perturbadas que querem lhe envolver em seus devaneios e sonhos de grandeza.

Os caboclos seguem a mesma toada dos pretos velhos. Para que usariam grandes cocares se por escolha própria vieram trabalhar na Umbanda na forma de índios? O caboclo é símbolo de simplicidade, assim como o preto velho é de humildade e a criança é símbolo de pureza. Simplesmente não faz sentido agir de maneira oposta ao fundamento de seu trabalho. Um guia de verdade não vai se gabar de seus poderes ou conhecimentos. Uma entidade de luz não precisa de nenhum tipo de reconhecimento. Ela já tem tudo o que precisa que são suas ordens e direitos de trabalho.

Já os médiuns são seres humanos que lutam com suas fraquezas e dificuldades, buscando a evolução e a libertação espiritual. É natural que queiram se sentir importantes e ter um guia chefe na sua coroa é uma verdadeira massagem no ego. Mas para tudo existe um preço. Vejamos o que se paga a seguir.

Deve haver uma sintonia entre o médium e a entidade que lhe assiste. Quanto mais elevada é a entidade, mais elevado dever ser também o médium para suportar a conexão espiritual. Os médiuns de karma probatório têm a cobertura dos protetores de Umbanda. Eles também são entidades de luz, como qualquer guia de Umbanda, mas trazem com eles as tarefas que seu médium é capaz de dar conta. Ser médium de karma probatório significa atender as pessoas na caridade, ter a oportunidade de resgatar karmas negativos do passado por meio do serviço mediúnico e ter o apoio de seus guias para resolver seus próprios conflitos pessoais, familiares, financeiros etc. Esse médium dedica uma parte de sua vida ao trabalho espiritual e aproveita as bençãos do mundo espiritual.

Os médiuns de entidades no grau de guia estão em geral no nível de karma evolutivo. Já possuem um conhecimento maior da espiritualidade, estudam sempre e dedicam grande parte de sua vida ao compromisso espiritual que assumiram antes de encarnar. As amenidades da vida prosaica não lhes atraem mais e, por isso, têm pouco tempo para festas e diversões. Sua tarefa mediúnica os coloca na posição de orientadores, podendo ser dirigentes de terreiros ou não. Como estão na condição de instrutores, chamam para si a responsabilidade de conduzir o caminho de grupos de médiuns e utilizam boa parte de seu tempo cuidando dos outros.

No plano mais elevado estão os médiuns de karma missionário. Eles são “aparelhos” de entidades no grau de Orixás intermediários. Como tal, devem ter já superado os dilemas da vida cotidiana e a maior parte dos conflitos internos. Isso significa que mesmo na pobreza são capazes de manter a serenidade e o bom ânimo. Dedicam quase toda a vida a servir ao próximo, orientando, cuidando, aconselhando e, principalmente, servindo de exemplo de humildade, sabedoria, simplicidade e compaixão. A caridade é o bem mais elevado que possuem. Têm pouco ou nenhum tempo para questões familiares. Não buscam lazer porque o contato espiritual é seu alimento e estão em função disso 24 horas por dia. Apesar de todos os benefícios que geram incessantemente aos outros, com freqüência são incompreendidos e não se importam de serem sacrificados, desde que cumpram a missão que lhes foi confiada pelo Astral Superior. Seu campo de ação espiritual afeta milhares ou milhões de pessoas. Chico Xavier é um grande exemplo de médium missionário. Matta e Silva, apesar da grande repercussão de seu trabalho, se considerava um iniciado de nível médio…

Então, irmãos, podemos ver que a coroa grande vem também com uma grande responsabilidade e muito pouco tempo para o desfrute do mundo. Usem o bem senso e verifiquem se o médium que diz ser veículo de entidades altamente elevadas é também, ele mesmo, elevado e desapegado das coisas materiais. Não se deixem influenciar por ilusões de grandeza e poder. O caminho espiritual é árduo e a recompensa é se tornar cada vez mais humilde. Quem quer ser o maior de todos, seja o servidor de todos; já dizia Nosso Senhor, o Cristo Jesus.

Hierarquias Espirituais de Umbanda

Por mais que nosso planeta seja um campo de expiações, onde muitas vezes o sofrimento se faz necessário ao aprendizado, existem seres iluminados dispostos a guiar a humanidade no caminho da espiritualidade. Esses espíritos benevolentes já se livraram dos “grilhões” que nos prendem a roda das encarnações e seguem trabalhando em prol daqueles que ainda dependem dessa via de evolução para despertar suas consciências a uma realidade superior. Esses espíritos de luz se organizam de maneira hierárquica e harmoniosa, seguindo as leis divinas, que são perfeitas e incorruptíveis.

Na visão da Umbanda Esotérica, as entidades que se manifestam nos terreiros, estão em um grau evolutivo superior ao dos seres encarnados, possuem experiência e sabedoria elevada, atuaram em diversos movimentos espirituais durante suas encarnações e agora militam na Corrente Astral de Umbanda. Apresentam-se nas formas de Caboclos, Pretos Velhos e Crianças. Estão sob o comando e supervisão direta do Cristo, o Sr. Jesus. São essas entidades que compõem as Hierarquias Espirituais de Umbanda.

Nas obras do mestre W. W. da Mata e Silva são descritos os planos e graus das hierarquias espirituais, onde existem 3 planos (orixás, guias e protetores) que agregam 7 graus ou vibrações ascendentes.

No primeiro plano encontram-se os Orixás Intermediários em número de 399 entidades em cada linha ou vibração do Orixá, discriminadas da seguinte maneira: 7 Orixás Principais que ordenam 7 Chefes de Legiões, 49 Orixás Chefes de Falange e 343 Orixás Chefes de Subfalanges, compondo os 1º, 2º e 3º graus, respectivamente.

Consideramos 7 as Linhas ou Vibrações de Orixás na Umbanda Esotérica (Oxalá, Yemanjá, Yóri, Xangô, Ogum, Oxossi e Yorimá), portanto multiplicamos esses valores em 7, e teremos 2.793 atuando no 1º plano da hierarquia espiritual. Sendo que os 7 Orixás Principais de cada linha não incorporam, logo são 2.743 as entidades que podem atuar na incorporação, assumindo a responsabilidade mediúnica.

No segundo plano, situados no 4º grau, estão os denominados Guias atuando como Chefes de Grupamentos, em número de 2.401 em cada linha ou vibração, totalizando 16.807.

No 3º plano, constituindo os 5º, 6º e 7º graus ou vibrações, estão os Protetores, que atuam como Integrantes de Grupamentos. Sendo no 5º grau 16.807, no 6º grau grau 117.649 e no 7º grau 823.543, sendo esses números para cada linha ou vibração, totalizando 6.705.993 de espíritos atuando no 3º plano.

Podemos observar que o número de entidades situadas no 2º grau, é 7 vezes o número das situadas no 1º, e assim segue-se multiplicando pelo número 7 até o 7º grau, estendendo-se aos subgrupamentos até limitar todos os seres do mundo astral. O porquê dessa lógica é um assunto de cunho iniciático, do entendimento daqueles que se aprofundam nos mistérios através do estudo e prática, mas podemos considerar que 7 são os Orixás ou Linhas que manifestam suas vibrações sobre 7 espíritos e cada um sobre mais 7 e assim teremos os resultados obtidos acima.

No livro Umbanda de Todos Nós, capítulo 7, do escritor W. W. da Mata e Silva, podemos encontrar um mapa para melhor visualização e entendimento da formação da Hierarquia Espiritual de Umbanda.

mapa 4

Lembramos que todas as entidades que atuam nos terreiros de Umbanda possuem os conhecimentos necessários para suas funções, independente do grau em que esteja situada. O grau das entidades que o médium terá como mentores, serão de acordo com seu grau de evolução, podendo ser identificado dentro da iniciação. Um médium que já alcançou algum mérito durante encarnações anteriores poderá ser assistido por uma entidade no grau de Guia ou até mesmo de Orixá, e provavelmente será o chefe de um terreiro ou casa, porém esses médiuns são em minoria, sendo que 80% dos médiuns atuantes na Umbanda trabalham com entidades situadas no 3º plano, o que não desqualifica os trabalhos realizados, pois o simples contato com um autêntico protetor que milita na Corrente Astral de Umbanda já traz diversos benefícios para o médium e os consulentes.

Devemos entender que as entidades que compõem as Hierarquias Espirituais de Umbanda, atuam com o único objetivo de guiar os filhos de fé para o despertar de sua consciência, alcançando assim sua libertação do mundo das formas, e seguindo para vias de evolução ainda desconhecidas por todos nós.

 

Saravá! Salve todas as Bandas de Umbanda!

Renato Antonio Rainha

Suicídio – uma discussão espiritual

Tirar a própria vida é o ato mais extremo de desafio ao nosso instinto mais fundamental, o da sobrevivência. O suicídio nunca é a primeira opção; ninguém busca o fim da própria existência a não ser como a saída última para quem não vê mais caminhos possíveis. Quantos se arrependem depois de terem tomado a dose letal de medicamento ou veneno? Quantos gostariam de voltar instantaneamente ao topo do edifício e fazer do salto uma mera ilusão? No entanto, muitos enxergam as vítimas dessa tenebrosa entrega como o indício de uma fraqueza, de uma perturbação ou como algo a ser punível eternamente. Nesse artigo queremos provocar novos olhares sobre o problema e injetar um pouco mais de compaixão no julgamento.

Na igreja católica as pessoas que se suicidaram não podiam ser enterradas em lugares santos como os cemitérios. Felizmente essa visão parece estar mudando e já se pondera que a misericórdia divina é maior que nosso entendimento sobre a questão. Ainda assim, o ato é considerado pecado grave porque ir contra a vida que é um dom dado por Deus e a Ele pertence é sempre inadmissível. (veja mais aqui).

Todos os espíritas kardecistas estão familiarizados com o conceito de vale dos suicidas popularizado por Yvonne Pereira em seu livro “Memórias de um suicida”. Embora o livro relate que nem todos que se mataram vão para esse vale de dores e sofrimentos, em geral o que ficou no entendimento dos adeptos dessa religião é que o suicídio é quase uma certeza de sofrimento ainda maior do outro lado da vida para o infeliz. Isso porque o suicida pode ficar preso ao corpo físico em decomposição ou ser submetido a torturas pela própria consciência ou mesmo a ataques por seres do baixo mundo espiritual.

Atualmente com os avanços da medicina, da psicologia e de outras ciências podemos compreender melhor o estado mental e espiritual que leva uma pessoa a se precipitar para fora do limite da existência encarnada. Imaginemos algumas situações para podermos refletir sobre alguns casos.

  • um indivíduo com um distúrbio orgânico conhecido como Transtorno Afetivo Bipolar tem alto risco de suicídio. Até 70% das vítimas da auto-eliminação eram portadoras de depressão e 3 entre quatro que conseguem por fim a si mesmos são homens, embora o número de mulheres que tentem seja duas vezes maior. O Transtorno Bipolar é um desequilíbrio do funcionamento do cérebro com um componente genético-hereditário significativo. Será que alguém já nasce pré-destinado para se suicidar? E se for assim, qual sua culpa se o seu cérebro não estava aparelhado(a) para ser feliz ou resiliente?
  • uma pessoa que esteja submetida à ação constante de obsessores, inclusive aqueles enviados por trabalhos de magia negra, pode ser levada a cometer esse ato. Nesse caso ela seria punida depois da morte por ter sido agredida em vida?
  • alguém que esteja com uma doença incurável e sabe que seguramente representará um fardo insuportável para seus familiares, decide terminar com a própria vida e poupar seus entes queridos. Ela é covarde ou generosa?
  • quem se voluntaria para a morte com o intuito de salvar a vida de outros por uma situação extrema como um naufrágio deve penar eternamente por seu sacrifício?
  • um doente em fase terminal que perdeu toda forma de dignidade humana e liberdade para ser e querer resolve conscientemente desistir de continuar lutando por seu corpo já consumido. Não será ele mais crente na continuidade da existência para além-túmulo do que outros que nem deixam seus parentes idosos morrerem em paz?

Talvez o suicídio seja o reflexo de uma deterioração profunda do estado mental/espiritual de um ser humano e a continuação do sofrimento do outro lado seja apenas a consequência de sua perturbação interna pré-existente. Mas não se pode julgar pela aparência. Cada caso é um caso que merece ser visto com amor e compaixão, deixando que o julgamento seja feito pelos senhores do karma.

Nos Contos de Jataka, texto popular do budismo que conta episódios das encarnações de Buda antes de Sua iluminação plena, há algumas passagens em que o buda, encarnado como um animal, oferece sua própria carne como alimento para outros bichos passando fome.

Dar a própria vida em sacrifício pode ser um ato excelso de doação ao próximo e foi isso que o Cristo Jesus fez. Pensemos sobre isso e veremos que há muito o que ponderar antes de poder dizer certo ou errado. No geral, as pessoas acreditam que a vida é o bem maior que Deus nos concede, porém a compaixão e o amor ao próximo pedem que sejamos mais compreensivos e amplos. O espírito é maior que a vida, porque é eterno e a encarnação é transitória.

A existência encarnada é um bem que deveria ser entendido como coletivo e individual ao mesmo tempo. Cada um tem a responsabilidade de cuidar bem de seu corpo e fazer dele um instrumento de evolução e elevação espiritual. Mas todos temos também o dever de não olhar só para nós mesmos e cuidar dos outros com o mesmo amor, garantindo que tenham condições de vida adequadas e a possibilidade de uma existência digna. Se o mandamento é amar a seu próximo como a si mesmo, o bem estar do outro deve ser tão importante quanto o seu.

Acima de tudo precisamos ficar atentos para as pessoas próximas de nós que se encontram em situações de risco, seja por depressão ou qualquer outra condição extrema. Temos que manter uma rede de segurança, sustentada por nossos vínculos sociais, para identificar e cuidar de quem precisa antes que algo grave aconteça. Percebendo em alguém os sinais de instabilidade no compromisso com a própria vida, devemos saber acolher imediatamente, amparar e cuidar para buscar soluções que permitam uma renovação do elo vital. Temos que amar uns ao outros para saber das coisas antes que elas aconteçam. Um minuto depois já é tarde demais.

por Roger Soares

O que é o karma?

A balança da justiça

Nos círculos espiritualistas a palavra karma é usada com frequência. Quando algo de mal acontece a alguém, dizem que é o karma daquela pessoa. Na Umbanda também ouvimos essa palavra como se indicasse uma possível causa para um determinado sofrimento. Assim, quando existe um problema dizem que pode ser “trabalho feito” ou pode ser de causas kármicas. Se o problema é por uma interferência externa, como um trabalho de bruxaria, é possível desfazer com  magia; já no caso de distúrbios de origem kármica o caminho é tentar compreender as causas e tentar melhorar a própria conduta para amenizar a situação, além de orar pela misericórdia divina.

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A história da Tenda de Umbanda Oxalá e Yemanjá

A Tenda de Umbanda Oxalá e Yemanjá iniciou suas atividades públicas em Fevereiro de 2013, na Chácara Santo Antônio, em São Paulo, na Rua Capitão Otávio Machado, 179. Em setembro de 2015 mudamos nossa sede para a Rua Antônio de Barros, 1859/1861, na Vila Carrão, na zona leste da capital paulista.

Nosso propósito é trabalhar dentro da Umbanda Esotérica seguindo os ensinamentos de W.W. da Matta e Silva conforme o mesmo transmitiu a seus discípulos fiéis. Não reconhecemos sucessores do insígne mestre porque não encontramos evidências suficientes para dizer que o mesmo tenha transmitido o comando da Raiz de Guiné a quem quer que seja. Em realidade, nenhum dos mestres iniciados por Pai Matta jamais reconheceu publicamente uma eventual transmissão de comando, prefereindo continuar suas práticas de acordo com as orientações deixadas pelo grão-mestre Yapacani.

Por esse motivo, seguimos fidedignamente a doutrina deixada por mestre Yapacani, ressalvando exclusivamente os conhecimentos que necessitam de atualização em virtude da evolução da ciência desde a publicação das obras de Matta e Silva. Além dos livros escritos pelo fundador da Umbanda Esotérica, recebemos diretamente ensinamentos e iniciações do mestre Yatiçara, um dos sete mestres consumados da Raiz.

Temos nossas sessões de atendimento mediúnico que acontecem aos sábados quinzenais, sempre às 19:00hs, sem atabaques, sem palmas, sem imagens, mantendo o ritual de Umbanda Esotérica igual era realizado em Itacuruçá- RJ.

Missão, Objetivos, Valores e Visão da TUOY

A Tenda de Umbanda Oxalá e Yemanjá é um centro espiritual que segue a tradição da Umbanda Esotérica conforme deixada por seu fundador – W. W. da Matta e Silva.

Nossa Missão:

  • Ser um templo umbandista que segue a doutrina de Matta e Silva na teoria e na prática.

Nossos Objetivos:

Atuar na Umbanda Esotérica em vários níveis de abrangência e complexidade que podem ser assim divididos:

  1. Nível público: difundir a doutrina de Matta e Silva através de websites, livros, vídeos, redes sociais ou outros meios de forma clara e inteligível mesmo para aqueles que desconhecem a Umbanda e suas vertentes.
  2. Nível leigo: prestar assistência espiritual gratuita nas giras mediúnicas por meio da incorporação dos caboclos, pretos-velhos, crianças e exús guardiões. Divulgar os ensinamentos através de cursos específicos, oficinas e outras atividades pagas, importantes para os que querem se aprofundar em conhecimentos e fundamentais para a manutenção financeira de nossa casa.
  3. Nível interno: orientar e conduzir os médiuns integrantes do corpo da TUOY no caminho espiritual propugnado pela Umbanda Esotérica visando o aprimoramento das faculdades mediúnicas, o crescimento pessoal e o desenvolvimento das 3 virtudes fundamentais, a saber, Simplicidade, Humildade e Pureza.
  4. Nível iniciático: aprofundar conhecimentos teórico-práticos nas artes espirituais umbandistas que incluem as diversas formas de magia, a Lei de Pemba, metafísica e procedimentos espirituais avançados, preparação sacerdotal e formação dos continuadores e propagadores da nossa tradição interna.

Nossos Valores:

Em primeiro lugar, declaramos a toda comunidade envolvida com a TUOY que entendemos a Umbanda como um “caminho para a realização espiritual” que contém vários métodos, rituais, técnicas e práticas que visam uma única finalidade: o crescimento espiritual.

Acreditamos que vivemos sob uma inversão de valores característica da doutrina yônica, de acordo com a Tradição Antiga, em que a realidade material é colocada acima da espiritual. Disso se segue que a sociedade contemporânea valoriza sobremaneira a individualidade e as posses, tornando nosso mundo bastante egoísta, competitivo e extremamente violento. É próprio das organizações yônicas a militarização  e a hierarquização que promove controle constante sobre a comunidade para manutenção do poder instituído.

A proposta da Umbanda Esotérica é reverter esse estado de coisas, restituindo a Tradição Dórica que se resume em colocar o espiritual acima do material. Dentro desse princípio, o mundo das formas e a individualidade são ferramentas para a ascensão espiritual e desenvolvimento dos valores do espírito. Em consequência da espiritualidade colocada em primeiro plano, as relações sociais são reconfiguradas por meio da compaixão, da solidariedade, do senso de coletividade e da percepção da transitoriedade do plano físico. Essa é a visão deixada por Oxalá – Cristo Jesus e Dele somos humildes seguidores.

Por fim, compreendemos que o caminho espiritual vincula necessariamente as dimensões cognitiva, afetiva e prática da pessoa. Ou seja, a evolução do espírito não é possível se o conhecimento não for acompanhado, lado-a-lado por uma atitude amorosa em direção aos outros. Tampouco as práticas espirituais meditativas, magísticas ou mediúnicas terão sucesso se a pessoa não desenvolver junto o espírito da caridade, do desprendimento e da sinceridade altruísta. Não se pode esperar que alguém chegue a evolução espiritual sem uma mudança do afeto. Não se pode acreditar que alguém seja iluminado se não manifestar o amor incondicional por todos, indistintamente.

Advogamos assim os valores da humildade, da simplicidade, da pureza, do agir sem segundas intenções e todas as 7 virtudes: Fortaleza, Respeito, Entendimento, Sabedoria, Justiça, Prudência e Castidade.

Nossa Visão:

Pretendemos contribuir, dentro de nossas limitadas capacidades, para o estabelecimento da escola da Umbanda Esotérica, tornando-a tão reconhecida e respeitável como qualquer outra vertente de Umbanda.

Saravá a Todos!

  • Onde estamos